Inspiração de Splitter vem de sua falecida irmã



Por Ken Rodriguez, Spurs.com


NBAE/Getty Images
Ela era a irmã forte, corajosa, atlética e mais jovem, que lutou contra a leucemia com fé e determinação inabalável. No poste baixo, Michelle Splitter media 1,98m. No coração do Brasil, ela era maior ainda, tão alta que seu irmão mais velho – Tiago Splitter, de 2,11m – sempre vai olhar para cima para vê-la.

Como poderia alguém, acometida pela doença aos 15 anos de idade, rir e brincar e “aprontar” com os amigos? Como poderia alguém se erguer acima da doença e dominar o jogo? Michelle o fez. Sua adolescência foi de mágoa e de aleluia. Quimioterapia e náusea no hospital, cestas e aplausos no ginásio.

Como ela conseguiu?

A maravilha de uma vida vivida de forma tão notável – talvez milagrosamente – deixa Tiago admirado. Ele perdeu Michelle em fevereiro de 2009, e uma punhalada de tristeza permanece. Dá para ver em seus olhos, ouvir em sua voz. “Nós éramos próximos,” diz Tiago. “Ela lutava todos os dias para ficar saudável. Quando eu estou cansado e penso nela e no que ela passou, o que estou passando não é nada.”

A vida na família Splitter girava ao redor de uma bola e uma cesta. Cássio, o pai, foi jogador em sua época. Ele ensinou o jogo aos seus filhos – Tiago, Marcelo e Michelle – em Blumenau, uma cidade de 300.000 habitantes no Sul do Brasil, que mais do que dobra em tamanho quando os visitantes a inundam para a Oktoberfest, festival anual de cerveja.

Os irmãos, todos altos e atléticos, jogavam um contra o outro em casa. A mãe de Tiago, Elisabeth, lembra que os jogos eram animados e refletiam a paixão da família. “Nossa casa,” diz Elisabeth em um e-mail, “sempre foi cheia de bolas e fotos de jogadores – da NBA, é claro.”

Quando Tiago saiu de casa aos 15 anos para buscar uma carreira profissional na Europa, ele se tornou um exemplo para Michelle. Ela trabalhou duro em seu jogo e, conforme os anos passaram, desabrochou em uma força imparável. Aí veio o diagnóstico, e a família caiu de joelhos. Em um horário marcado, todos os dias, os Splitters rezavam. Elisabeth e Marcelo, em um hospital em São Paulo. Cássio, em Blumenau. Tiago, na Espanha.

Michelle tirou força das orações e de passagens da Bíblia. Ela também buscou força nas pessoas. “Michelle se divertia com suas amigas,” diz Elisabeth. “Ela ria com elas e fingia que não tinha problemas. Mas como eu sempre estava com ela, posso dizer que eu não conseguiria suportar tudo aquilo.”

Depois do começo da quimioterapia, mais notícias ruins. Michelle precisava de um transplante de medula óssea. Cássio e Tiago lançaram uma campanha em Blumenau para encontrar um doador. Ninguém apareceu lá. Mas um doador surgiu no Rio de Janeiro. A recuperação foi excruciante. Do outro lado do Oceano Atlântico, Tiago sofria quieto, desejando poder estar mais próximo.

“Para mim,” diz Tiago, “a melhor coisa que podia fazer era estar em quadra e jogar basquete”.

Em casa, Michelle lutou contra a dor com exercícios rigorosos e terapia diária, empurrando a si mesma a uma recuperação acelerada. “Todo dia era como um campeonato, um jogo vencido, uma batalha difícil,” diz Elisabeth. “Mas ela não queria que ninguém soubesse disso, principalmente Tiago, porque ele estava tão distante.”

A distância desgastou Tiago até que, subitamente, o prognóstico mudou. Os médicos liberaram Michelle para jogar bola. Michelle se pronunciou curada. Tiago comemorou. A irmã mais nova retornou às quadras e foi convocada à Seleção Brasileira juvenil. Uma reportagem internacional descreveu Michelle como “vencedora de uma batalha de três anos com a leucemia.”

Derrotar a doença era uma coisa. Mas retornar ao basquete num palco mundial? “Não conseguia imaginar,” disse Michelle a um repórter internacional, “que isso iria acontecer.”

Tiago não podia imaginar a próxima notícia. A leucemia retornou. Michelle entrou em cuidado intensivo com uma hemorragia no pulmão. No mesmo dia, Tiago sofreu uma lesão e foi liberado para voltar ao Brasil. A viagem de volta para casa terminou com um funeral. “Deus queria nossa Michelle mais perto dele,” diz Elisabeth.

Assim como Michelle uma vez tirou forças de seu irmão, Tiago agora tira forças dela. Semanas após sua morte, Tiago liderou o Tau Ceramica ao título da Copa do Rei da Espanha. Ele seguiu esse feito com uma série de jogos fortes e, em setembro, empurrado pela memória de Michelle, liderou o Brasil à medalha de ouro na Copa América.

Ele disse ao Euroleague.net, “Eu dediquei esta medalha de ouro a ela, assim como fiz com nossa vitória na Copa do Rei da Espanha, na última temporada. Tudo o que eu vencer a partir de agora será por ela.”

Um ano depois, Tiago permanece tão devotado à sua memória quanto antes. Ele está sentado na instalação de treinos do Spurs, de olhos fechados, cabeça nas mãos, lembrando de um brilho que não dava nenhuma sensação de uma morte iminente.

Ela tinha uma habilidade de olhar além da dor, além da doença, além de tudo o que estava entre ela e a eternidade. Em sua Bíblia, Michelle sublinhou Romanos 8:18: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.”

Cássio e Elisabeth colocaram o verso na lápide de Michelle e disseram adeus. No YouTube, Michelle diz “olá” em uma montagem de fotos. Em uma delas, aparecem estas palavras: “Não precisa mais procurar... Estou aqui.” Em outra, seu rosto sorridente reluz através das nuvens.

Irmão e irmã, nascidos com cinco anos de diferença, permanecem conectados espiritualmente. Ele joga em um mundo, ela mora em outro. “Quando passo por dificuldades,” Tiago diz, “ela me inspira.”


Ken Rodriguez é natural de San Antonio e cobriu seu primeiro jogo do Spurs em 1981, para o The Daily Texan, jornal estudantil da University of Texas. Ele passou 26 anos no ramo jornalístico – 21 deles cobrindo esportes – antes de se juntar ao departamento de marketing da Our Lady of the Lake University em 2009. Sua coluna no Spurs.com é publicada todas as quartas-feiras.


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