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Entrevista com Nenê Hilario em São Paulo

Nenê É Escolhido Para o Primeira Seleção dos Melhores Novatos do Ano.
Garrett W. Ellwood NBAE/Getty Images
São Paulo, Brasil -- Em uma tarde agradável na cidade de São Paulo, Nenê Hilário, único brasileiro a jogar na NBA, deu sua entrevista coletiva no centro de convenções do Pestana Hotels & Resorts. Com seu jeito sempre agradável e carismático, Nenê logo começou a entrevista.


Nenê, você sentiu muita falta de casa?
Nenê: "Com certeza. Senti saudades da família, dos amigos, da comida, da televisão, lá eles não têm novela."

Algum pedido especial, quanto à comida?
Nenê: "Ah, eu logo pedi pra minha mãe preparar aquele feijão gordo, quase uma feijoada. Com bastante carne de porco."

Nenê, qual a principal diferença que você encontrou nos treinamentos nos EUA e no Brasil?
Nenê: "Bom, os americanos puxam bastante na parte de musculação. Eles fazem os jogadores menores ganhar impulsão e trabalham para que os maiores ganhem agilidade. Se der bobeira os jogadores pequenos pulam e te dão um toco quando você menos espera."

Já que nós entramos no assunto de treinamento, como foi esta fase de treinamento pré-draft, quando você tem que se mostrar para os times?
Nenê: "Ah, eles também puxam bastante na musculação nesta etapa. São mais ou menos umas três horas de treino pela manhã. E há tarde eles fazem treino físico, tático e técnico. O que acaba levando umas 5 horas e meia ou seis horas de treino na parte da tarde."

Nenê, você era mais franzino quando foi selecionado no draft. Quanto você pesava no inicio dos treinamentos com os Nuggets e quanto pesava no final da temporada?
Nenê: "Eu entrei com 113 kg e terminei o campeonato com 123 ou 124 kg. Todo mundo fala que eu tomei bomba, mas esse crescimento na massa muscular foi mais por causa da musculação mesmo."

Qual sua agenda para os próximos meses?
Nenê: "Eu vou ficar no Brasil até o dia 20 de maio. Aí vou para Cleveland treinar com meu personal trainer durante umas três semanas e volta para Denver pra treinar com o time. E devo me apresentar à seleção brasileira no dia 10 de agosto, para o Pré Olímpico em Porto Rico."

Nenê, o que você pretende melhorar no seu jogo para a próxima temporada?
Nenê: "Eu preciso treinar mais meus arremessos. Se começar a arremessar melhor vai ser mais difícil me marcar, porque tenho habilidade e explosão para penetrar no garrafão."

Como foi enfrentar seus ídolos, Shaquille O’Neal e Michael Jordan?
Nenê: "Nossa, foi emocionante. Ainda mais que depois do jogo com o Jordan ele veio até o vestiário e me disse para continuar a treinar duro que eu tinha muito talento. Ouvir isso do Rei é bom. E em uma entrevista dele no All Star Game ele mencionou meu nome, me elogiou. Fiquei muito orgulhoso."

Sabe-se que você está patrocinando um time de São Carlos (cidade natal de Nenê). Como funciona esse patrocínio e desde quando você vem dando esse suporte?
Nenê: "É o time do Menegueli (Nivaldo Menegueli Junior, um dos primeiros técnicos de Nenê, em São Carlos, e um dos primeiros a acreditar no potencial do jogador). Eu comecei esse projeto há um mês. É gostoso poder ajudar os amigos. E foi o Menegueli que me deu a primeira bola de basquete, o primeiro tênis. Foi ele que me ajudou a dar os primeiros passos no basquete."

Nenê, o que você acha do Leandrinho (jogador brasileiro que vai entrar no draft da NBA neste ano)?
Nenê: "O Leandrinho é um garoto de muito talento. Ele vai ter que trabalhar também a parte física, porque ele é meio franzino, mas ele tem talento."

De 0 a 10, que nota você daria para sua primeira temporada na NBA?
Nenê: "Vinte (risos). Fui muito alem das expectativas. Acho que ninguém esperava que eu pudesse ter um desempenho tão bom nesse primeiro ano." E o nome na camisa. Muda pra próxima temporada?
Nenê: "Muda. Vou trocar para Nenê. Mas o número continua o mesmo (31). Afinal, em time que está ganhando não se mexe, certo?" Quais times você considera candidatos ao título deste ano?
Nenê: "Ah é difícil... Todos os times são muito bons. Mas acho que San Antonio e Sacramento são muito fortes. E ainda tem os Lakers (de Los Angeles)."

Qual o papel de Jeff Bzdelik nessa evolução tão rápida de seu jogo?
Nenê: "O Jeff me deu tempo de jogo. Por eu ter aumentado minha massa muscular e ter ficado mais forte que o Camby (Marcus Camby), ele me passou pra posição de pivô. E isso me fez subir de produção e melhorou meu aproveitamento."

Nenê, o técnico Lula da seleção brasileira já declarou que vai te utilizar como pivô. Mas sua posição natural é a de ala de força. O que você acha de jogar de pivô na seleção brasileira? Nenê: "Eu prefiro jogar na posição 4 (ala de força), por ser minha posição original. Mas compreendo que há uma certa carência de pivôs no Brasil e farei o que o Lula pedir."

Nenê, após você se firmar como titular, observou-se que não havia uma jogada desenhada para que você finalizasse os pontos. De alguma maneira você sentiu falta disso?
Nenê: "Não, não. O principal jogador do time era o Juwan Howard, e as jogadas eram desenhadas para ele. Não senti falta de uma jogada para mim."

Com exceção de seu primeiro jogo e de sua participação no All Star Weekend, qual foi o jogo mais emocionante desta temporada pra você?
Nenê: "Ah, contra o Sacramento. Lá em Sacramento. Nós perdemos por dois pontos, e uma besteira no final do jogo. Definitivamente foi o jogo mais emocionante."

Qual foi o jogador mais difícil de marcar e qual o jogador que te marcou melhor nesta temporada?
Nenê: "Não teve nenhum em especial. Sempre que eu vou marcar um jogador que não se dá muita atenção é difícil. Porque de repente ele pode vir a marcar 50 pontos. E é sempre difícil quando fazem marcação dobrada e você. Toda vez que tem uma marcação dupla é o jogo mais difícil."

Com qual jogador do time você tem um relacionamento melhor?
Nenê: "Com o Juwan Howard. Ele me ensinou muita coisa. E ainda tenho muito o que aprender com ele. Espero que ele possa continuar no time na próxima temporada, já que ele tem passe livre."

Recentemente o Juwan Howard declarou que você lembra muito o Chris Webber (jogador do Sacramento Kings) quando mais jovem. Você sente orgulho disso?
Nenê: "Com certeza. Muito orgulho. Ainda mais vindo do Juwan, que jogou com o Webber na Universidade e conviveu com ele por muito tempo. Com certeza isso foi um belo elogio."

Muito obrigado Nenê, boa temporada e boa sorte com a seleção brasileira.