O jogo é outro

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As manchetes dominaram as primeiras páginas dos jornais do mundo todo.

“O mundo do basquete mudou para sempre na noite de quarta-feira”, foi a manchete do Associated Press de quinta-feira, 5 de setembro de 2002. “A Argentina venceu os Estados Unidos, o time favorito, por 87 a 80 num jogo do Campeonato Mundial com uma vitória considerada praticamente impossível”.


Andres Nocioni, Manu Ginobili, Carlos Delfino e Fabricio Oberto. (NBAE/Getty)

A segunda rodada de eliminação do Campeonato Mundial de 2002 não foi apenas a primeira derrota dos Estados Unidos em 59 jogos, mas a primeira derrota desde que a seleção americana começou a convocar jogadores da NBA para partidas internacionais há 10 anos. Esse foi também o o grito de guerra de uma outra nação no mundo do basquete que logo assumiria lugar de destaque no cenário internacional.

A Argentina terminou o campeonato com um honroso segundo lugar, o que contribuiu para que aquela seleção ganhasse a medalha de ouro, dois anos mais tarde, nas Olimpíadas de 2004. Um resultado impressionante, considerando-se que foi apenas a quarta vez que a seleção Argentina competiu.

Graças àquele sucesso, o basquete é hoje em dia um dos esportes mais populares na terra do tango, dos gaúchos e de Diego Maradona. No centro de toda essa popularidade está o herói nacional daquela seleção e estrela do San Antonio Spurs, Manu Ginobili.

“Manu levou a Argentina à fama mundial e levou o mundo às portas da Argentina, “ Guillermo Vecchio, o antigo técnico da seleção Argentina, que a liderou nos Jogos Olímpicos de 1996, disse no verão passado ao Houston Chronicle. “Quem fez mais pelo basquetebol?”

Um dos quatro argentinos jogando atualmente na NBA, Ginobili foi escolhido como o melhor jogador dos Jogos Olímpicos com uma média de 19,3 pontos, 4,0 rebotes, 3,3 assistências e 1,38 bolas roubadas durante o campeonato. No outono seguinte, Ginobili voltou ao Spurs um jogador diferente. Ele registrou os melhores resultados em pontos na sua carreira: 16,0 pontos por jogo, 3,9 rebotes por jogo, 1,61 bolas roubadas por jogo e uma porcentagem de anotações de campo de 0,471 para o campeonato 2004-2005, e algumas vezes carregou a equipe nas Finais, concretizando o seu status de estrela na NBA.

“Ajudou muito a minha confiança”, disse Ginobili durante os jogos das Finais do Spurs, “porque, quando você se sente um Campeão Olímpico e é escolhido como o melhor jogador dos Jogos Olímpicos, você passa a acreditar ainda mais em si mesmo, pois sabe que deve estar fazendo algo certo. Portanto aquela temporada foi como uma continuação dos Jogos Olímpicos de Atenas”.

Ginobili não foi o único jogador da Seleção Argentina a causar impacto na NBA.

Agora na sua segunda temporada com o Chicago Bulls, o ala-pivô Andrés Nocioni está fazendo uma média de 12,7 pontos, 6,0 rebotes e 0,65 bloqueios por jogo como jogador titular em Chicago. Ele marcou presença como um jogador obstinado na defesa e um arremessador de bolas paradas confiável.

Carlos Delfino foi selecionado na primeira rodada do Draft da NBA de 2003 em (25º lugar) pelo Detroit Pistons. Depois de uma temporada com o Skipper Bologna, Delfino se uniu ao Pistons em 2004-05. O armador lançador tem uma média atual de carreira de 3,2 pontos por jogo em 94 partidas.

O pivô Fabricio Oberto, um membro da Seleção Nacional Argentina desde 1995, assinou com o San Antonio Spurs como um agente livre no dia 2 de agosto de 2005. Com 31 anos de idade ele é o calouro mais velho da NBA desta temporada.

Nos últimos anos, os jogadores Ruben Wolkowyski e Juan “Pepe” da seleção Argentina também jogaram na NBA. Wolkowyski jogou em Seattle, Dallas e Boston enquanto que Sanchez jogou em Atlanta, Filadélfia e Detroit.

O ala-pivô da Seleção Argentina Luis Scola, cujos direitos de seleção são de propriedade do Spurs, é considerado um dos melhores alas-pivô na Liga Européia. Graças à sua incrível habilidade, espera-se que Scola venha a jogar na NBA muito em breve.

Selecionado na segunda rodada do draft de 2002 pelo Portland, o ala-pivô Frederico Kammerichs também poderia eventualmente vir a jogar na NBA. Os jogadores argentinos selecionados em drafts que nunca jogaram na NBA incluem Marcelo Nicola (1993, 2ª rodada), Jorge Gonzalez (1988, 3ª rodada), Hernan Montenegro (1988, 3ª rodada).