O Homem por trás dos cabelos encaracolados
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11 de junho de 2007 – Seus cachos e suas quedas. Isso é tudo que um fã comum sabe sobre Anderson Varejão.

(NBAE/Getty Images)
Os fãs reconhecem que o pivô dos Cavaliers, que está em seu segundo ano, com seus cachos parece com Deus, outros dizem que sua cabeça é um notebook que fica desenhando linhas e círculos para conseguir uma infiltração no garrafão.

E os fãs se acostumaram a ver o seu movimento característico, que é sofrer uma falta ofensiva de jogadores oponentes, dirigindo seu corpanzil ao chão sem medo de se machucar.

O problema é que a figura de Varejão, ou seja, a sua combinação de jogador fofo que sofre falta faz com que os fãs olhem para ele mais como uma figura de desenho animado e não um jogador, ou seja, um competidor intenso em um time de calibre na final do campeonato.

A reputação não é justa. Quando Kobe Bryant liderava a NBA em pontos marcados, ele é aplaudido. Steve Nash também, quando ele liderava a liga em assistências. A partir disso, porquê Varejão não ganha os créditos que ele merece por ser o líder em faltas ofensivas recebidas na liga?

Segundo o site 82games.com, Varejão conseguiu originar 99 faltas ofensivas na temporada 2006-07, colocando-o muito na frente do segundo colocado neste quesito ( Devin Harris dos Mavericks ficou em segundo com 77). Vou perguntar de novo, se o sucesso de rebotes de Kevin Garnette´s e os tocos de Marcus Camby são celebrados, porque as faltas ofensivas de Andy não são ?

Sofrer 99 faltas ofensivas é como roubar 99 bolas do adversário, porém é melhor pois acarreta problemas de faltas aos oponentes. Varejão oficialmente tem média de 0.9 roubos de bola por jogo, porém se adicionarmos a média de 1.22 equivalente as faltas ofensivas recebidas por ele, este número salta para 2,12.

Esta média é um pouco mais baixa que a média de Baron Davis do Golden State que é o líder da liga neste quesito com 2.14 roubos de bola por jogo.

Perguntado sobre qual a sua melhor jogada na quadra, Varejão não mencionou as faltas ofensivas e sim a sua capacidade de ler o jogo mentalmente e se colocar na posição que irá acarretar a falta.

“Eu acredito que é a minha característica de jogo: energia, não desisto nunca, tento lutar por cada posição na quadra. É a atitude. Atitude é tudo no meu jogo”

Porém o foco em cima das faltas ofensivas que o Varejão obtém pode estar fazendo um deserviço para ele. Ele já conseguiu alcançar o status de ícone Global, que segundo Le Bron James ele quer obter.

“Está melhorando todo ano, pois todo ano estão vindo para a NBA mais e mais jogadores não só do Brasil mas da América do Sul, com isso o basquete está crescendo cada vez mais no Brasil” Varejão disse sábado para a mídia.

Para um cara que entrou na liga sem falar quase nada de inglês, ele com certeza foi muito bem e ajudou o grupo a se descontrair.

“Agora que eu cheguei na final parece que eles estão falando somente disso. Ás vezes ligo para alguns amigos e eles falam `Você não faz idéia o tamanho das finais da NBA, todos aqui estão falando de você´ E eu digo é o país do futebol eles não estão falando de mim´ e eles dizem é sério está crescendo cada vez mais”.

Isso demonstra o impressionante impacto que um jogador que teve média de apenas 5.8 pontos e 6 rebotes nos playoffs e jogou somente 22.4 minutos saindo do banco.

Ele fala sobre o orgulho de representar o seu país e espera poder jogar pela seleção neste verão no Torneio de Las Vegas.

Ele também revelou como começou a jogar basquete. Como muitos jogadores, o seu ídolo quando adolescente foi Michael Jordan e como Michael Jordan, o seu irmão mais velho foi o que ele precisava para gerar um instinto competitivo dentro dele que seria necessário para ele conseguir chegar no profissional.

Michael teve Larry e Andy teve Sandro.

“Meu irmão jogou em Idaho pela faculdade e jogou também em West Virginia, ele foi como um mentor pra mim. Ele foi o motivo de eu começar a jogar basquete”.

Varejão é um cara interessante, muito calmo. responde as perguntas em três línguas diferentes nos seus dias de folga. E gosta de ficar no vestiário junto com Zydrunas Ilgauskas e Sasha Pavlovic, os seus melhores amigos do time.

No final da conversa com a mídia, ele conversou em espanhol com Mauricio Mendoza do site NBA.com e disse que sábado foi o dia que ele mais falou Inglês em toda a sua vida, com as diferentes respostas em diferentes línguas, no final ele não sabia mais se ele estava falando espanhol.

Para resumir ele disse:
“Oh Dios mio a este punto ya no se ni que idioma estoy hablando (falando), Ingles, Español ou Portugués?”