Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

O Dia em que Jason Collins foi Maior que Dwight Howard

Estranho esse título, não é? Quando você imaginaria ver alguém sequer argumentar que Jason Collins, pivô mediano e nômade na NBA, era melhor do que Dwight Howard, o Superman, All-Star, melhor pivô da liga na atualidade? Bom, por incrível que pareça, aconteceu. Foi no dia 29 de abril de 2013, uma segunda-feira.

OK, não foi num jogo, e teve pouquíssimo, quase nada a ver com basquete. Foi na mídia, e na reação pública. Numa semana típica de playoffs de NBA, a eliminação do Los Angeles Lakers na primeira rodada da pós-temporada, varrido pelo San Antonio Spurs, dominaria o ciclo de notícias, e os comentaristas esportivos analisariam cada detalhe mínimo da forma como Dwight Howard deixou a quadra após ser expulso com duas faltas técnicas, rumo a mais uma offseason de incerteza sobre seu futuro. Todavia, foi uma segunda-feira atípica. Foi o dia em que um atleta em atividade em uma grande liga profissional esportiva nos EUA, pela primeira vez, se declarou abertamente gay. Esse foi Jason Collins.

Algumas pessoas insistem que é uma "ala gay" da mídia que força o assunto goela abaixo de seus espectadores, mas não é verdade. O assunto é polêmico, gera reações acaloradas de ambos os lados e a sociedade ocidental como um todo passa por um momento de transição quanto ao tema. Nesta segunda, não foi a mídia que forçou Collins a "sair do armário" - foi o próprio que decidiu fazê-lo, por julgar que o momento era importante. Também não foi a mídia que forçou a repercussão - ela se deu instantaneamente nas redes sociais, com centenas de atletas e celebridades se manifestando voluntariamente a respeito do assunto. Kobe Bryant, Tony Parker, Dwyane Wade, Jason Kidd, John Wall. Spike Lee, Ellen DeGeneres, Dwayne "The Rock" Johnson, Michael Moore, Eva Longoria. David Stern, Bill Clinton, Barack Obama. Todos eles, entre muitos outros, dividiram suas opiniões sem que fossem perguntados, todos em apoio à atitude do pivô.

A repercussão da admissão de Jason Collins engoliu completamente a repercussão do possível e provável fim da passagem de Dwight Howard por Los Angeles. Mas não foi só por isso que Collins foi maior que D12. Ele foi maior também em sua honestidade e abertura para falar de si mesmo. Em sua extensa coluna na revista Sports Illustrated sobre suas motivações e expectativas em se revelar, me surpreendi com a facilidade com que ele reconheceu que sua contribuição em quadra é "cavar faltas ofensivas e fazer faltas", e que ele entra em quadra sabendo que tem seis faltas para cometer. O máximo de sinceridade a que Howard se permitiu na coletiva de imprensa pós-jogo foi admitir que esta temporada foi "um pesadelo" para ele. De resto, suas resposta, pouco depois de esbravejar com o gerente geral do Lakers e jogar uma toalha no chão, foram tão contraditórias quanto suas declarações antes de deixar o Orlando Magic.

D12 merece, sim, tempo para pensar no futuro, consultar seu círculo íntimo de amigos e família, orar, tudo mais. Mas poderia ser mais aberto e sincero com o Lakers, cuja direção trabalhou como louca para tirá-lo de Orlando, e com os torcedores da franquia, que o receberam de braços abertos. Precisa ser sincero consigo mesmo também: precisa trabalhar intensamente em seu jogo no garrafão e reconhecer que a culpa por tantas faltas ofensivas que ele comete são dele mesmo, não dos árbitros ou de "floppers" como o próprio Collins. Quando ele aprender a se posicionar corretamente no low block ou no topo do garrafão e tiver uma jogada tão bem praticada que ele acertaria de olhos fechados, vai ser imparável. E seja no Lakers, seja em Houston, Dallas ou qualquer outro time para o qual ele vá no ano que vem, ele será o centro das expectativas, e tem de aprender a lidar com isso.

Tomara que Dwight Howard aprenda com a sinceridade de Jason Collins e, na próxima temporada, quando os dois se encontrarem em quadra, ele o abrace e agradeça por, pelo menos por um dia, tirar o foco das atenções de suas costas.

NBA nas redes sociais

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