Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Muito mais que um número

A cerimônia de aposentadoria do número de Allen Iverson pelo Philadelphia 76ers no último sábado foi tratado como uma grande notícia na NBA e na mídia americana. A razão para isso é simples: Iverson transcendeu o esporte. Mais do que um grande atleta, A.I. foi único, e deixou uma marca indelével na consciência de todos que o assistiram, tanto dentro quanto fora de quadra.

>> Chalk Talk: Allen Iverson | Mano a Mano

O número escolhido por Iverson e que agora estará pendurado no teto de qualquer arena que o Sixers chamar de casa, 3, não poderia ser mais apropriado. Iverson foi um personagem tridimensional. Nunca foi apenas o jogador de basquete, somente o armador do Philadelphia. Iverson simbolizou a era em que a mídia e o público passaram a prestar mais atenção no que seus ídolos faziam fora de quadra, e passaram a perceber que atletas não são super-heróis. Você pode argumentar que outro craque do mesmo time, Charles Barkley, já havia detonado essa mística com seu clássico comercial de tênis dizendo que não era um "exemplo" para as crianças, mas ninguém cruzou mais esta linha entre humano falho e super-herói do que Iverson.

Ele fez isso ainda anos antes de chegar à NBA - de chegar sequer à faculdade. Em Hampton, Virginia, Iverson era a maior promessa esportiva das ligas colegiais quando foi acusado de se envolver em inúmeras confusões. Passou meses numa casa reformatória e, depois, seguiu carreira na universidade de Georgetown. (Essa história está coberta no excelente documentário "No Crossover: The trial of Allen Iverson, que passou na ESPN há alguns anos).

Depois de dois anos estelares em Georgetown, Iverson novamente rompeu barreiras ao ser o primeiro escolhido no draft de 1996. Hoje, pode parecer normal pegar um armador logo de primeira, dadas as mudanças de regras que facilitaram as infiltrações no garrafão e deixaram a liga nas mãos de Derrick Rose, Tony Parker, Russell Westbrook, Chris Paul, entre outros. Na época, a NBA ainda era dominada por pivôs, e pegar um jogador de apenas 1,83m na primeira posição do recrutamento era loucura. E não foi qualquer Draft, também: foi talvez a melhor classe de todos os tempos, com nomes como Kobe Bryant, Ray Allen, Peja Stojakovic, Steve Nash, Jermaine O'Neal, Zydrunas Ilgauskas, Marcus Camby, Stephon Marbury, Shareef Abdur-Rahim e Antoine Walker.

Não fosse por Iverson batendo de frente com alas e pivôs, batendo para dentro em busca de enterradas e bandejas, as regras talvez nunca tivessem mudado. Seu estilo tenaz de jogo hoje pode ser observado em Dwyane Wade - que diz usar o 3 em nome da Santíssima Trindade, mas certamente teve um pouco da influência de A.I. nessa escolha - Russell Westbrook, John Wall, Lance Stephenson, Chris Paul, Brandon Jennings, Damian Lillard, Derrick Rose, Monta Ellis, Kyrie Irving, entre outros. Até alas como LeBron James e Kevin Durant admitem ter enorme influência de Iverson em seus jogos.

O estilo de Iverson era imitado tanto em quadra como fora. Ele popularizou os "cornrows", as tranças nagô, mais até do que Snoop Dogg. Depois que ele apareceu com este penteado, a NBA foi invadida por jogadores copiando as tranças: Eddie Robinson, Darius Miles, Carmelo Anthony, Kwame Brown, Larry Hughes, Jermaine O'Neal, Rip Hamilton, Jonathan Bender, Corey Maggette, DeShawn Stevenson, Ben Wallace, entre muitos outros. Mais uma vez, seu estilo transcendeu: jogadores de futebol como Diego Tardelli e Zé Roberto admitem que adotaram o mesmo penteado por causa dele. Milhares de meninos brancos - eu, inclusive - copiaram o estilo tipicamente africano. Iverson, todavia, sempre mantinha-se original, sempre com um trançado diferente.

O estilo de Iverson fora das quadras também causou uma mudança nos padrões da liga. Quando estava lesionado, o jogador sempre usava camisas largas e calças baggy, bermudões, bandanas, na moda do hip hop. Suas tatuagens, seu cabelo e sua atitude rebelde, eternizada na infame entrevista sobre "Practice"), o tornaram mal visto pelo público, que o considerava um "mau exemplo". A NBA não podia apagar as tatuagens ou forçar Iverson a cortar o cabelo, mas podia mudar suas roupas e deixá-lo mais "profissional", e instituiu um código de vestuário que poderia muito bem ser chamado de "Código Iverson". A medida, apesar de questionada, gerou algo de bom: os jogadores da NBA não só viraram referência em elegância, como passaram a lucrar com grandes contratos com marcas de roupas de luxo.

No final das contas, Allen Iverson talvez não tenha sido "A Resposta" que a NBA queria para a ausência de Michael Jordan, como sugeriria a origem de seu apelido, mas será sempre lembrado como a resposta para o homem que derrubou mitos e abriu avenidas para muitos outros. Quem transformou o armador pontuador no jogador mais importante da NBA? Quem mostrou que é OK ser original e falar o que pensa mesmo sendo um superastro? Quem marcou época e se tornou um ícone tanto no esporte quanto no hip hop? Allen Iverson.

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