Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Mais Uma Chance Perdida

Eu e 90% dos brasileiros fãs de NBA tínhamos certeza: 2013 seria, enfim, o ano em que o Brasil estaria representado no All-Star Game da NBA. Anderson Varejão vinha fazendo uma campanha espetacular na atual temporada, com médias de 14,1 pontos e 14,4 rebotes por partida, ambos recordes pessoais, assim como o aproveitamento de 75,5% nos lances livres e as 3,4 assistências e 1,5 roubo por jogo. "Andy", como é chamado pelos gringos, estava lá atrás na votação dos fãs para ser titular da Conferência Leste, mas era praticamente garantido no voto dos técnicos - afinal, não há muitos alas e pivôs fazendo melhor do que ele: é o melhor reboteiro da NBA, 10º em duplos-duplos e 36º em eficiência total.

Porém, foi anunciado nesta semana que Varejão passou por uma cirurgia na perna direita, para reparar um rompimento no quadriceps, e vai precisar de pelo menos seis semanas de recuperação. Ou seja, adeus All-Star Game, que será disputado no dia 17 de fevereiro - daqui a cinco semanas. Se fosse eleito pelo voto dos fãs, Anderson seria "tecnicamente" um All-Star, mesmo sem poder jogar, e já romperia a primeira barreira para o Brasil; porém, como nas primeiras apurações ele aparecia distante do terceiro e último classificado entre os alas, Kevin Garnett (KG tinha mais de 218 mil votos, contra cerca de 57 mil para Varejão), isso parece difícil de acontecer. Os treinadores também não elegerão para o banco de reservas um jogador lesionado.

E assim, mais uma temporada se passa sem um brasileiro no All-Star Game. Nenê já esteve próximo de ser chamado pelo Denver Nuggets, especialmente em 2010-11, quando teve médias de 14,5 pontos, 7,6 rebotes e 61,5% nos arremessos num Oeste fraco em pivôs, mas acabou preterido por Tim Duncan, Pau Gasol e Kevin Love na escolha dos técnicos para o banco de reservas. Varejão apareceu com força nos últimos dois anos, ao ganhar a titularidade e mais tempo de quadra pelo Cleveland Cavaliers. A chegada de Kyrie Irving, que o envolve mais no ataque, também ajudou.

Porém, a mesma energia e entrega que torna Varejão um dos jogadores favoritos da torcida de Cleveland e do Brasil também o prejudica. Ele leva quedas, cotoveladas (inadvertidas ou de propósito), tropeça, cai sobre um mar de pés ao aterrisar da briga suja pelos rebotes. Não é de se espantar que jamais tenha jogado todos os jogos da temporada. Em duas ocasiões, só perdeu uma partida, poupado pelo técnico. Nos últimos três anos, como titular, disputou um total de 81 jogos e ficou fora de mais de 100 por causa de lesões.

Mas, fazer o quê? Pedir para Varejão mudar de estilo? Se poupar? Aí, não seria ele. Seus números e sua eficiência provavelmente baixariam. Difícil mesmo de se encontrar uma solução. Tudo o que podemos fazer é torcer por uma recuperação total para Anderson Varejão, e que ele volte o quanto antes. E rezar para que a experiência o torne mais "malandro" em como jogar com intensidade sem comprometer tanto seu corpo.

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