Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Como o Atlântico Foi Vencido

Nenhuma divisão esteve tão mal vista este ano quanto a do Atlântico, que por um tempo parecia que só teria um time nos playoffs, seu campeão. A quantidade de jogos entre si - cada time enfrenta cada um dos quatro adversários de sua divisão quatro vezes por temporada, o que significa que você disputa 16 de 82 jogos dentro de sua própria divisão – e de jogos dentro da própria Conferência Leste - mais 36 jogos - ajudam a "nivelar" o cartel das equipes. No final das contas, o Toronto Raptors, considerado um time de margem entre playoffs e loteria, acabou ganhando a divisão e merecendo, de verdade, a vantagem no mando de quadra na primeira rodada da pós-temporada, e o Brooklyn Nets também entrou nos playoffs com folgas, embora não com a força que se esperava antes do campeonato. Uma das forças do ano passado, o New York Knicks deu um passo para trás e ficou de fora da pós-temporada, e Boston Celtics e Philadelphia 76ers fizeram o que se esperava deles: perderam jogos a fio na disputa pela primeira escolha do Draft.

Pude observar de perto os cinco times da divisão em jogos entre si durante uma passagem por Nova York entre janeiro e fevereiro. A aparência foi de uma divisão em transição, com quatro equipes procurando suas identidades. A principal razão para o título divisional de Toronto foi que o grupo canadense foi o primeiro a encontrar sua identidade: um time briguento, físico e valente, com jogadores de perímetro cheios de ousadia. Kyle Lowry pode ter causado muitos problemas em outras equipes, mas é sua personalidade forte que deu ao Raptors uma liderança em quadra e no vestiário. Ele não teve medo de chamar a responsabilidade em vários momentos, especialmente quando DeMar DeRozan estava fora por lesões. DeRozan, por sua vez, se beneficiou muito quando Toronto enviou Rudy Gay para Sacramento numa troca por alguns jogadores de banco. Ele pôde assumir o papel de pontuador principal e se soltar no ataque. Terrence Ross, por sua vez, se colocou como terceiro na ordem do perímetro: quando DeRozan e Lowry lhe davam espaço, atacava; quando os dois estavam comandando o show, fazia o trabalho sujo, assim como Valanciunas e Amir Johnson. Patrick Patterson se encaixou bem como opção no banco, assim como Greivis Vazquez, ambos vindos na transação com o Kings. O time encaixou e venceu 11 de 15 jogos dentro da divisão até aqui, além de 32 em 50 na conferência.

Brooklyn foi o time seguinte a se encontrar. A temporada começou conturbada e com altas expectativas sobre a dupla Paul Pierce e Kevin Garnett, cujas pernas claramente estão desgastadas pelas milhas excessivas - lembre-se, KG está na NBA desde 1995, e Pierce desde 1998. Eventualmente, com Deron Williams e Andrei Kirilenko recuperados de lesão, a equipe definiu claramente as funções de cada um e, mesmo sem Brook Lopez, perdido pelo resto da temporada por causa de outra lesão, pegou no tranco a partir de janeiro. Kidd foi ficando mais confortável como treinador e seu "dedo" ficou visível especialmente nas evoluções de Shaun Livingston - armador que, mesmo com sua mobilidade e explosão prejudicadas pela lesão horrorosa que sofreu há alguns anos pelo Clippers, voltou a ser um jogador capaz de destruir jogadas dos adversários e puxar contra-ataques - de Andray Blatche - por vezes, a opção ofensiva central da segunda unidade do Nets - e de Mason Plumlee - que em sua primeira temporada passou de "calouro perdido em quadra" a titular confiável numa equipe de playoffs. Ele vai ser uma dor de cabeça quando Lopez voltar no ano que vem. Deron Williams voltou a jogar seu melhor basquete desde que saiu de Utah, e Pierce e Garnett têm seus minutos bem manejados. Eles contribuem mais com seu QI de basquete do que com suas capacidades atléticas, e não são mais tão essenciais para o sucesso da equipe.

O Knicks demorou demais a se encontrar - se é que se encontrou. Mike Woodson foi simplesmente incapaz de encaixar as peças que ganhou neste ano. Carmelo Anthony, tão criticado, jogou em nível de MVP, assim como fez no ano passado. Todavia, seus companheiros foram inconsistentes demais por todo o ano. Ray Felton e JR Smith começaram a temporada muito mal e lidaram com muitas distrações dentro e fora de quadra. Pablo Prigioni, que foi ótimo como titular no ano passado, não encontrou seu melhor ritmo. Andrea Bargnani mostrou a mesma inconsistência que em Toronto e se lesionou no meio do ano. Amar'e Stoudemire até voltou bem no ataque, mas continuou preguiçoso e perdido na defesa. Ora o Knicks encaixava seis ou sete vitórias seguidas, ora não conseguia vencer por cinco ou seis jogos. Phil Jackson tem uma base boa para começar sua reformulação, com Tyson Chandler, Iman Shumpert, Tim Hardaway Jr. e Jeremy Tyler como peças úteis tanto para o jogo, como para trocas. Se Melo optar por sair para Chicago, Lakers ou outro, porém, Jackson terá muito trabalho para remontar o clube.

Boston conduziu nesta temporada um grande teste para avaliar quem terá condições de ficar ao lado de quem vier no draft de 2014. Ganhar alguns jogos de forma surpreendente - como a vitória no último segundo sobre o Miami Heat no início da temporada e a surra de 40 pontos de vantagem sobre o Knicks em pleno MSG - fazia parte da avaliação. Os resultados: Rajon Rondo, Jared Sullinger e Jeff Green podem ficar - a não ser que alguém ofereça uma boa escolha de primeira rodada por eles. O resto tem algumas boas peças úteis para o banco - Kelly Olynyk, Avery Bradley, Kris Humphries, Phil Pressey, Chris Johnson - mas ninguém indispensável. O brasileiro Vitor Faverani teve seus momentos, especialmente no início do campeonato, e pode ser útil a vários times da NBA, incluindo o próprio Celtics, mas não é considerado uma peça vital para o futuro da franquia.

Se Boston fez esse grande teste, o Philadelphia 76ers parecia determinado a conseguir a primeira escolha do draft, escalando jogadores que pareciam retirados da esquina do Wells Fargo Center. Quando assisti a Nets x Sixers no Barclays Center e recebi a lista de jogadores ativos e inativos, fiquei surpreso ao notar que eu não conhecia mais da metade do elenco do time! Arnett Moultrie? Jarvis Varnado? Brandon Davies? Lorenzo Brown? Quem são esses caras?? Ainda assim, o Sixers mostrou talento durante a temporada - tanto que vai terminar apenas com a segunda pior campanha, e não com a pior, mesmo após a incrível sequência de 26 derrotas consecutivas. Não fosse a tremenda inexperiência, que resultava em inúmeras bolas perdidas por jogo e em falhas gritantes na defesa, talvez este time não tivesse perdido tantos jogos. Muitas dessas derrotas foram contestadas, e muitas delas vieram depois de a franquia trocar dois de seus melhores jogadores, Evan Turner e Spencer Hawes, para liberar espaço na folha salarial e recolher ainda mais escolhas no draft. Pelo menos, o Sixers tem algo que o Celtics não tem ainda: uma peça central garantida em seu quebra-cabeça, o armador Michael Carter-Williams, forte candidato a Novato do Ano. O pivô Nerlens Noel vai seguir como uma incógnita até a próxima temporada, podendo ser de um sucesso maciço como Blake Griffin até um fracasso retumbante como Greg Oden - para citar dois casos de pivôs de altas expectativas que perderam suas primeiras temporadas devido a lesões nos joelhos. Se Noel for um pivô minimamente decente, o Sixers poderá reunir um trio promissor no próximo campeonato, que incluirá um ala top 4 vindo do draft.

E para o futuro? Resta saber se a NBA vai manter a estrutura de divisões e conferências. Se isso mudar a forma como a tabela é montada, os cinco times do Atlântico correm riscos sérios. O Nets teve um desempenho razoável contra o Oeste (18-12) e tende a ser melhor no ano que vem, com Kidd mais confortável como treinador e Brook Lopez de volta ao time; já o Raptors fez o grosso de seu estrago em sua própria divisão e conferência (16-14 contra o Oeste) e ainda caiu de produção no final da temporada, o que depõe contra seu futuro. O Knicks, se Melo continuar, tem tudo para voltar a ser um time pelo menos competitivo na próxima temporada. Boston parece estar longe ainda de voltar ao nível de playoffs, com tanta incerteza em seu elenco. Philadelphia terá muitos novatos no ano que vem, mas me parece bem posicionado para dar um bom salto, dependendo da química que desenvolver e de quanto tempo Noel e o ala top 4 que vier precisarem para se adaptarem ao jogo profissional.

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