Foi a paixão pelo basquetebol que trouxe Rubens Borges ao jornalismo. De 2005 até 2011 Rubens foi repórter do BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br). Após sair do BasketBrasil, Rubens não conseguiu ficar longe do basquetebol por muito tempo e criou o Hit The Glass (http://www.hittheglass.blogspot.com.br) onde segue iluminando os fãs da NBA.

Chalk Talk: O Mago CP3

Chris Paul é o melhor armador do mundo. Sobre este fato não existem dúvidas. Ao contrário do que se espera de um craque do basquetebol, o jogo de CP3 não é baseado em acrobáticos ataques ao aro. Paul utiliza sua inteligência, visão de quadra e passes perfeitos para controlar as defesas adversárias.

Paul teve 17 assistências na vitória de seu Los Angeles Clippers sobre o Chicago Bulls. E todo seu arsenal de passes estiveram disponíveis para seus companheiros de quadra. Desde jogadas simples até complicados passes no meio da defesa do Bulls.

As melhores coisas ao armador do time californiano foram as chegadas de Jared Dudley e J.J. Redick. Com Dudley e Redick no time, Paul tem dois bons arremessadores de 3 pontos para abrir espaços que se tornam importantes em momentos decisivos.

Como o Bulls tem que se preocupar com Paul, que procura um melhor passe, Jared Dudley fica livre. Neste início de temporada, Dudley tem 50% de aproveitamento dos arremessos de 3 pontos “acima da quebrada” (aquele ângulo mais pronunciado na linha de 3 pontos).

Quatro jogadores do Bulls olham para Paul, imaginando o que ele fará. Apenas Luol Deng vê Dudley, mas ele está longe demais para chegar a tempo, e Dudley tem um arremesso livre.

Outra faceta dos passes de CP3 aparece pouco depois, em um contra-ataque. A defesa do Bulls está em uma boa posição para parar o Clippers. Carlos Boozer pode correr um pouco mais e cortar o espaço de Blake Griffin e dois outros jogadores do Bulls estão em posição de proteger o aro. Até a genialidade de CP3 entrar em ação.

Paul olha, constantemente, para o passe na linha dos 3 pontos. Ignora completamente Griffin, que corre em direção ao aro. A defesa do Bulls se ajusta conforme as dicas dadas por Paul, saindo da melhor posição para defender a cesta. Não que Hinrich tivesse chances de parar Griffin, mas sua decisão deixa uma auto-estrada para o ala-pivô.

Mesmo contra uma defesa bem treinada como a do Bulls, Paul conseguiu tirar toda atenção de alguém perigoso como Griffin, dando espaço mais do que suficiente para o corte. É impossível parar Griffin quando ele em espaço para embalar para a cesta. E foi exatamente isso que Paul fez acontecer.

Mais um contra-ataque do Clippers e, mais uma vez, Paul usa seus talentos para distrair a defesa do Bulls. Correndo o risco de ser repetitivo, mas a defesa de Chicago é extremamente bem treinada por Tom Thibodeau. Não é uma defesa que costuma facilitar a vida de seus adversários, mesmo sem Derrick Rose. Mas não é uma defesa que enfrenta um armador como Paul todos os dias.

Os três jogadores do Bulls (viram Mike Dunleavy ali? Dá para ver o rosto dele. Isso! Abaixo do 1) olham para Paul. Ignorando J.J. Redick, que converte 38,8% dos arremessos de 3 pontos em sua carreira, correndo na lateral da quadra. Enquanto isso, Paul dirige o time, apontando para onde Griffin e Ryan Hollins devem ir. Tudo para:

Deixar Redick livre. Ninguém, literalmente ninguém, está perto de Redick. Dunleavy marca Hollins, Boozer tira espaços de Griffin e Hinrich marca Paul. Um arremesso livre assim é praticamente um lance-livre para Redick.

Após pedir um corta-luz de Griffin e Redick, Paul ataca a cesta. A defesa inteira do Bulls converge para o armador, seu floater é uma arma perigosa, mas não tanto assim. Por algum motivo, Deng resolve ajudar também. Cinco defensores envolvidos na defesa de um jogador.

Com essa preocupação de Chicago com Paul, a defesa está bem onde o armador a quer. Paul não pretende ir para a cesta, mas ao cortar, três opções aparecem, livres, na linha de 3 pontos. CP3 encontra Jamal Crawford que converte o arremesso no final do primeiro tempo.

Outro corta-luz, outra vez Paul distrai a defesa para conseguir um bom arremesso pro Clippers. Acreditem, Griffin está na jogada, mesmo que não apareça na primeira foto, logo ele chega. DeAndre Jordan faz o corta-luz, dando espaço para CP3, que imediatamente faz parecer que a ideia é ir para a bandeja.

Todos os cinco jogadores do Bulls prestam atenção nas ações de Paul. E não é uma situação de final de jogo, ou dos 24 segundos de arremesso. A defesa de Chicago acredita mesmo que a intenção de Paul é a badeja. Mas o genial armador está três passos a frente.

Dobrando a esquina nos defensores, Paul abre um imenso espaço no garrafão. Noah não tem escolha, a não ser tentar tirar a avenida para a bandeja. Boozer elimina a possibilidade de uma ponte aérea com Jordan.

Se vocês acham que Paul não viu Griffin (o que não seria impossível, nem a gente conseguiu vê-lo no início da jogada) pensem novamente.

Griffin recebe a bola em uma sonífera ilha, sossega seus olhos no aro e descansa suas mãos em mais dois pontos. Um passe lindo de Paul, como passando uma linha pela agulha, encontrou Griffin na maneira que ele mais gosta, embalado, com espaço para atacar a cesta.

Paul é um pontuador tão bom que atraiu atenção de, literalmente, toda defesa de Chicago, em mais de uma ocasião, deixando companheiros livres para a cesta.

Por isso o ataque do Clippers é tão divertido e eficiente. Paul está pronto para sacrificar a atenção que recebe, para encontrar companheiros livres, em melhores condições. Se você prestar muita atenção nas direções de Paul, como um mágico e seus truques, ele dirigirá seus olhos para um lugar, enquanto faz o incrível acontecer em outro.

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