Guilherme Buso deu seus primeiros arremessos numa quadra de basquete aos 9 anos de idade. Desde então, disputou todos os campeonatos das categorias de base, atuou por uma temporada de High School nos Estados Unidos e foi parte da equipe adulta de Santo André até sua formação acadêmica como jornalista na Universidade Metodista. Produziu o documentário "Bola ao Cesto", que faz uma retrospectiva detalhada da Seleção Brasileira de basquete masculina. Foi repórter da TV Federação Paulista de Futebol, mas jogar, assistir e comentar os jogos da bola laranja sempre foram sua tarefa predileta. Atualmente, é gerente de comunicação da Liga Nacional de Basquete e escreve para a NBA desde 2007.

Bola para o Splitter

Toda vez que me perguntam quem são os jogadores brasileiros que atuam na NBA e eu digo que o pivô do San Antonio Spurs, Tiago Splitter, é um deles, a grande maioria não acredita. O estilo de jogo, as características físicas e a carreira desse jogador, natural de Santa Catarina, com certeza, confundem àqueles que não acompanham o basquete tão de perto.

Fisicamente, Splitter foge um pouco da característica mais tradicional do povo brasileiro, com sua pele bem clara e o cabelo loiro. Além disso, quando o pivô chegou à NBA, ele veio como um dos grandes nomes do basquete europeu, após uma longa carreira na Liga ACB, na Espanha.

Splitter, de 28 anos de idade, é, nesta temporada, o único brasileiro que chegará nos playoffs da NBA. Os Spurs tem, inclusive, grandes chances de vencerem mais um título, já que possuem uma das melhores campanhas da Conferência Oeste na fase de classificação.

Apesar de hoje, o pivô brasileiro estar bastante integrado ao sistema de jogo do técnico Gregg Popovich e ser titular do San Antonio Spurs, a vida não foi fácil para Splitter nos primeiros anos de NBA. Na temporada 2010/2011, o jogador largou o campeonato espanhol como MVP (Jogador Mais Valioso) e veio para os Spurs para simplesmente ser mais um.

“Desde o primeiro dia que cheguei aqui, eles sempre me falaram que o primeiro ano não seria fácil, que o Popovich costumava não colocar os novatos para jogar muito. E isso aconteceu com o Ginobili, com o Oberto e eu teria de ter paciência”, afirmou Splitter, em entrevista exclusiva para o NBA Brasil. “Fui, assim, me adaptando ao estilo de jogo da NBA e do nosso próprio time e, aos poucos, ganhando meu espaço”, completou.

O melhor jogador da segunda maior liga do mundo atuou apenas uma média de 12 minutos (um quarto por partida) na sua primeira temporada, momento, que segundo ele, foi o mais difícil de sua carreira.

“Eu estava acostumado a jogar bastante, a receber 20 bolas por jogo e, de repente, passei a quase não jogar aqui. Foi muito difícil. Chegava em casa chateado e realmente não sabia o que fazer. Mas, o tempo me ensinou que era isso mesmo que o Popovich queria e, hoje, eu estou colhendo esses frutos”, comentou.

Determinado, como sempre foi, Tiago Spliiter continuou trabalhando forte e a cada temporada foi, naturalmente, aumentando sua produtividade no time do Texas. Nesta temporada, sua terceira na NBA, o pivô é titular, ao lado de Tim Duncan, e possui médias de 10,6 pontos e 6,6 rebotes em mais de 24 minutos de tempo em quadra.

Acompanhando o jogo do San Antonio Spurs é bem notório que a bola roda bastante e muitas vezes chega ao brasileiro, coisa que antes não acontecia. O time alvinegro que sempre foi do trio Duncan/Parker/Ginobili, hoje, é sem dúvida de Tiago Splitter também.

Além do respeito dentro da equipe, o brasileiro também é destacado como um dos grandes pivôs da liga profissional norte-americana. Sua qualidade individual no ataque e sua capacidade de trabalhar coletivamente fazem de Splitter um jogador importante para se ter no elenco. Agora é continuar torcendo para que o catarinense mantenha essa evolução e mostre para a NBA tudo o que a Europa já conhece e nós aqui no Brasil também.

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