Foi a paixão pelos esportes que fez com que esse ex-administrador de empresas resolvesse tornar-se jornalista. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já escreveu sobre esportes em vários sites e blogs e hoje é o responsável pelo setor de jornalismo de uma grande empresa de cosméticos da região do ABCD paulista. Porém, sua grande motivação ainda reside em comentar e escrever sobre eventos esportivos, especialmente o basquete. É fã e grande colecionador de artigos da NBA desde quando assistiu sua primeira partida ao vivo na antiga Miami Arena há 15 anos.

De Olho nos Brasileiros: Entrevista com Anderson Varejão

Hoje, a coluna “De Olho nos Brasileiros” traz uma entrevista especial com Anderson Varejão. Nela, o carismático pivô do Cleveland Cavaliers fala sobre o atual momento de sua equipe e a frustração de não chegar aos playoffs; um pouco sobre Seleção Brasileira e a expectativa de poder jogar com os Cavs no Rio de Janeiro em outubro, pela pré-temporada da NBA.

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Anderson, como foi recuperar a confiança após os sérios problemas de contusão e de saúde que você teve no ano passado e que abreviaram a sua melhor temporada na NBA?

Anderson Varejão: Foi um susto. Mas passou. Devo muito à minha esposa, Marcelle, à minha família, amigos e fãs, porque foram eles que me deram suporte, me deram apoio e carinho para superar o problema da doença e voltar bem às quadras. Estava num momento muito bom, mas essas coisas acontecem. Importante é que eu estou recuperado, saudável e vindo de uma temporada inteira.

O começo desta temporada também deve ter sido bem difícil, afinal, além de recuperar o tempo perdido você teve que disputar posição com Andrew Bynum. Isso chegou a lhe preocupar ou serviu como um incentivo?

AV: Não, preocupar não. Todo grande jogador que chega é importante, agrega à equipe, e Bynum é um excelente pivô. Minha função é ajudar o time da melhor maneira. Se eu tiver cinco minutos, vou jogar cinco minutos. Se eu tiver 40 minutos, vou jogar os 40 minutos, sempre com a mesma intensidade.

Mesmo começando algumas partidas na reserva, especialmente neste início de temporada, deu para ver claramente a sua importância para a equipe, afinal em quase todas as partidas ou você terminava jogando os momentos decisivos ou acabava com mais tempo de quadra que o titular da sua posição. Isso deve ser gratificante para o atleta, não é?

AV: Quero ter sempre mais minutos. Vou à quadra da mesma maneira sempre, respeitando a todos, sabendo que cada um tem a sua importância, daquele que pontua, àquele que sai com cinco faltas, todos precisam estar comprometidos e sabendo que ninguém é melhor do que ninguém. Já vi jogadores entrarem dois minutos e decidirem um jogo e atletas jogarem mais de 40 e não serem eficientes no momento decisivo. É esporte, não é matemática. Você precisa aproveitar o tempo que tem, dando o seu melhor, aquele que passa a bola, aquele que faz o bloqueio, o outro que abre espaço, eles têm a mesma importância daquele que acerta o arremesso. Fico feliz de poder dar a minha contribuição ao time e de estar ajudando o Cavs.

Recentemente, entrevistamos o Leandrinho nesta coluna e perguntamos para ele sobre o novo papel dele de liderança sobre os jogadores mais jovens do Suns. Com você deve ser mais ou menos a mesma coisa, afinal o elenco do Cleveland é muito jovem. Você sente essa responsabilidade de ser um líder dentro e fora de quadra? Como é isso para você?

AV: Cheguei no Cavs há dez anos e era muito novo. Havia jogadores mais experientes que me ajudavam, me davam conselhos e sempre escutei tudo. Sabia que aquilo era importante demais para mim. Hoje sou um dos mais velhos do grupo e me pego fazendo o mesmo, dando orientações, conversando, tentando ajudar os mais jovens. Todos que chegam à NBA sentem a mudança, há uma exigência, uma cobrança, uma responsabilidade muito maior. Isso é parte da minha função no grupo, sim, e me sinto bem em poder ajudar.

A saída de Andrew Bynum e principalmente a chegada do Luol Deng deram ao Cleveland uma perspectiva de ascensão à equipe. Qual foi a importância da chegada dele ao time?

AV: Deng é um jogador completo, que pontua, defende, ajuda a equipe a jogar. Além disso, é um companheiro de time espetacular. Tínhamos condições de chegar aos playoffs, brigamos pela vaga até as últimas duas ou três rodadas, mas fomos prejudicados por lesões e desfalques, mais uma vez. Eu fiquei fora do time um mês, Kyrie Irving também, assim como outros jogadores importantes, enfim, não conseguimos ter a equipe completa durante toda a temporada e isso nos prejudicou.

Chegou a bater uma frustração por não terem conseguido a classificação aos playoffs deste ano, ou vocês têm a consciência de que a próxima temporada pode ser mais produtiva e com menos altos e baixos caso a equipe seja mantida?

AV: Tínhamos uma expectativa muito boa, um time em condições de chegar aos playoffs. Mas isso não aconteceu. Não dá para ficar lamentando, o Cavs tem um time jovem e de muito potencial. Acho que vamos ter uma grande temporada 2014-2015, principalmente se pudermos contar com todos os jogadores.

Por falar em manter a equipe, seu contrato acaba em 2015. Já circularam muitos boatos envolvendo seu nome recentemente. Alguma novidade sobre sua situação? Você já deixou claro que pretende continuar em Cleveland, certo?

AV: Tenho mais um ano de contrato com o Cavs. Estou bem adaptado à cidade, ao time. Cleveland é a minha segunda casa e onde eu sou feliz. Meu foco está apenas em fazer uma grande temporada no ano que vem.

Em Outubro teremos mais uma partida de pré-temporada sendo disputada aqui no Brasil. Depois de Nenê, agora os brasileiros poderão ver você e o Cavs enfrentando o Miami Heat. Entre os fãs da NBA e do esporte em geral essa notícia foi mais do que bem aceita. Queria saber qual a sua expectativa para essa partida? Seus companheiros de equipe ficaram animados com a notícia?

AV: Minha expectativa é a melhor possível. Todos ficaram muito felizes, porque sempre me perguntam muito sobre o Brasil. Para mim vai ser a realização de um sonho poder jogar no meu país, diante dos brasileiros, da minha família, amigos, levando a NBA. É algo maravilhoso, que nunca pensei que pudesse acontecer. Estou muito feliz e ansioso por esse jogo.

Brincadeiras à parte, você bem que poderia trazer um belo estoque de perucas para idealizarmos a “Primeira Noite das Perucas” fora de Cleveland, hein?

AV: Ia ser bem bacana, com certeza! Quem sabe isso não acontece?

Seria realmente sensacional! Bom, para fechar nosso papo, gostaria de falar um pouco sobre seleção brasileira. Não há dúvidas que você estará representando mais uma vez nosso país no Mundial da Espanha e tudo leva a crer que teremos força máxima nessa competição. Quais as chances do Brasil e sua expectativa para o Mundial, afinal caímos em um grupo bastante complicado?

AV: Sim, uma chave bem forte com França, Espanha e Sérvia. Mas não podemos menosprezar Egito e Irã, que chegam por méritos ao Mundial. Temos uma equipe forte, e o mais importante é chegarmos bem preparados, saudáveis e prontos para esse torneio. Temos que pensar jogo a jogo. Podemos jogar de igual para igual com qualquer um e vamos muito fortes.

Anderson, muito obrigado pela entrevista, boa sorte no Mundial e o espaço está aberto. Algum recado aos torcedores e leitores do NBA Brasil?

AV: Apenas um ‘muito obrigado’ por tudo, pelo carinho que sempre recebo onde quer que eu vá. Isso é algo que prezo muito, é o que posso ter de mais valioso que é o respeito dos fãs. Quando entro em quadra é pensando na minha torcida, naqueles que me passam energias boas, nos torcedores do Cavs, na NBA, e nos milhões de brasileiros que me acompanham e torcem por mim.

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