Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Choque de Realidade

Eu acreditava que o amistoso do último sábado seria a melhor chance de o Brasil vencer os EUA em muito tempo. Afinal, os EUA estavam sem nenhum jogador entre os top 5 do país (não conto Derrick Rose porque estava parado há muito tempo e não sabíamos como voltaria); tiveram apenas dois treinos para se reinventarem após a lesão de Paul George e a saída de Kevin Durant; era apenas o primeiro amistoso ‘pra valer’ deles na fase de preparação, enquanto o Brasil já havia disputado quatro jogos; e este elenco brasileiro já se conhece há mais de uma década, e é praticamente o mesmo time que esteve nos Jogos de Londres em 2012, com a exceção de Hettsheimeir.

Nada disso importou, e os EUA venceram o jogo em Chicago por 95 a 78, graças a dois quartos em que limitou o Brasil a 15 pontos - o primeiro e último períodos.

É importante não crucificar ninguém ou levar esse jogo ‘a ferro e fogo’; era um amistoso, na casa do adversário, contra um time que o Brasil só encontrará se chegar à final da Copa do Mundo. Ainda há três amistosos antes da estreia contra a França, e tempo para correções. Entretanto, o resultado tem que ligar um sinal de alerta para a Seleção Brasileira, que precisa evoluir muito para realmente sonhar em chegar às quartas de final.

Começa pelo garrafão. Supostamente, é o nosso ponto forte, e, em termos de pontos, até foi: Tiago Splitter e Nenê combinaram para 27 pontos, Anderson Varejão marcou seis e Rafael Hettsheimeir contribuiu 13. Quando Splitter, Nenê e Varejão trabalharam pick-and-rolls e jogadas de hi-lo, geralmente tiveram sucesso e passaram muito bem a bola. Todavia, dos 13 pontos de Hett, nove vieram em bolas de três - o que é uma ótima novidade, e serviu para queimar a minha língua sobre o ‘range’ do pivô; se ele mantiver essa boa pontaria, já vira uma opção tática muito interessante para Rubén Magnano.

Porém, esse mesmo garrafão cedeu 11 rebotes ofensivos aos americanos e perdeu a briga por rebotes por 44 a 34 - isso contra um time que é mais baixo e menos corpulento no interior; imagina contra um time com pivôs mais tradicionais como a França e a Espanha, nossos adversários na primeira fase. Cabe o elogio a Kenneth Faried, que mostrou porque vem sendo considerado presença certa na seleção americana para a Copa: sua energia e raça compensam pela falta de técnica e ele fez excelente trabalho em tirar rebotes dos brasileiros. Terminou com 11 pontos, nove rebotes e duas assistências.

Uma boa novidade do amistoso, para mim, foi que Magnano encontrou uma segunda unidade que rendeu bem. O quinteto Raulzinho, Larry Taylor, Alex, Varejão e Hett entrou no segundo quarto e funcionou - cortou a diferença de 12 pontos pra sete. No terceiro quarto, uma variação da mesma formação, com Leandrinho no lugar de Larry, diminuiu a desvantagem para cinco. O time titular, desta vez, porém, não rendeu bem. Magnano iniciou o jogo com Leandrinho e Marquinhos nas alas, o que deixou a defesa do Brasil muito fraca no perímetro. Marquinhos teve uma péssima noite, errou quase tudo que tentou, de ambos os lados, e terminou com dois pontos, um rebote e uma bola perdida. Na minha opinião, ele e Leandrinho não funcionam bem juntos; um dos dois tem que vir do banco, e Alex precisa estar no time titular para reforçar a marcação.

O Brasil teve 40% de aproveitamento nos chutes de três pontos, uma marca excelente, e inflada pelos desempenhos surpreendentes de Hettsheimeir e Raulzinho - este último, muito mais paciente e bem composto que já vi, e um ótimo sinal para seu futuro até na NBA. Excluídos os dois, foi apenas um acerto em nove arremessos de três, incluindo um erro de um Guilherme Giovannoni completamente livre, em contra-ataque. Foi o primeiro jogo de Guilherme desde que se recuperou da lesão no tornozelo que vinha o incomodando, então tem que se ter paciência, mas o Brasil vai precisar muito dele na Copa. Ele ainda esteve lento e foi pouco utilizado; precisa ganhar ritmo.

O mais importante, contudo, é algo que Magnano já disse após a derrota para a Argentina: defesa. Defesa, defesa, defesa. A seleção americana tem um potencial ofensivo enorme, com ótimas opções em todas as posições, e é praticamente impossível pará-la. No entanto, os americanos estavam treinando juntos há pouco tempo, e fizeram a maior parte de seu estrago em jogadas simples, sem ensaio, graças ao talento e ao esforço individual. O Brasil não vai ganhar muitos jogos em que permitir ao adversário marcar 95 pontos. Há quatro anos, no Mundial, a seleção segurou os EUA abaixo de 80 pontos; ou seja, é possível para este elenco defender melhor.

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