Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Amistoso valioso

A fome de basquete de alto nível dos fãs da NBA vai ser saciada a partir deste sábado, com o primeiro amistoso oficial da seleção americana, que vai disputar a Copa do Mundo em agosto/setembro, na Espanha. O adversário é justamente o nosso Brasil, time também equipado com jogadores da liga - três têm vaga garantida na próxima temporada (Tiago Splitter, Nenê e Anderson Varejão), dois negociam vaga (Leandrinho e Raulzinho) e outros dois tiveram passagem pela liga (Marquinhos e Alex). A rigor, a partida em Chicago não vale nada, mas será decisiva para os dois treinadores, ambos campeões olímpicos - Mike Krzyzewski, bicampeão com os EUA, e Rubén Magnano, medalha de ouro com a Argentina.

Os EUA entrarão em quadra ainda com a ‘nuvem negra’ da infeliz lesão de Paul George pairando sobre suas cabeças. Após duas semanas de discussão *ad nauseum* sobre os riscos de competições internacionais às carreiras de jogadores e aos bolsos dos proprietários de franquias, tudo o que a comissão técnica americana quer é que o foco volte a ser no que o time faz dentro de quadra. E quando o Team USA entrar no tablado do United Center, terá um visual radicalmente diferente do que era esperado duas semanas atrás.

A minha coluna do início do camp de treinamentos em Las Vegas já está praticamente obsoleta. Coach K ainda tem três cortes a fazer para a Copa do Mundo, mas não tem mais nem George, nem Kevin Durant, seus dois alas titulares e que o permitiam jogar com dois armadores e três laterais. Rudy Gay, que já tem experiência jogando neste esquema de Krzyzewski no Mundial de 2010, foi trazido para substituir Durant, mas fica a dúvida sobre se ele será capaz de marcar jogadores maiores na posição 4 por tanto tempo quanto KD, e o quanto a bola passará pelos alas. Gay tem tendência a usar mais jogadas de isolamento e arremessa um volume alto de bolas, mas o foco do ataque de Krzyzewski deve ser nos armadores, com Derrick Rose e Steph Curry como titulares, e na movimentação de bola.

Fica a dúvida se o treinador muda um pouco o estilo de jogo e aposta em levar mais pivôs e alas para compensar a perda da envergadura de George e Durant. Nesse caso, um dos dois armadores reservas, Damian Lillard ou Kyrie Irving, pode acabar cortado, algo em que eu não acreditava muito no início do processo (e continuo duvidando). Chandler Parsons provavelmente vai ocupar espaço como stretch-4 e James Harden deve ser o ala titular, o que cria competições intensas entre DeMar DeRozan, Gordon Hayward e Klay Thompson por uma vaga - Kyle Korver é um jogador praticamente garantido pela sua pontaria de longa distância, muito importante para bater as marcações por zona do basquete da FIBA.

O amistoso contra o Brasil será muito importante para os EUA testarem como se saem contra times mais altos e pesados, visual que devem encontrar contra a Lituânia e Austrália na segunda fase e, numa potencial final, contra a anfitriã Espanha. Espero ver Coach K alternar bastante entre sua formação de 2-3 e uma escalação mais tradicional, com DeMarcus Cousins, Miles Plumlee ou Andre Drummond no centro para jogar contra Splitter e Kenneth Faried ao lado em cima de Nenê/Varejão. Anthony Davis está garantido e pode jogar em ambas as posições; Faried aumentou seu favoritismo com a saída de Durant, que também aumentou as chances de Coach K considerar levar mais dois pivôs em vez de só um.

*A rotação de Magnano*

A Seleção Brasileira chega já com o elenco fechado para a Copa do Mundo - Rubén Magnano cortou Rafael Luz e Cristiano Felício na véspera da viagem para Chicago - mas tem muitas dúvidas a resolver antes da competição. A principal é qual deve ser a segunda unidade da equipe e quem pode compor, de fato, a rotação em quadra.

Nos amistosos até aqui, o quinteto inicial com Marcelinho Huertas, Alex, Marquinhos, Nenê e Splitter tem funcionado muito bem. Quando Anderson Varejão joga ao lado de um dos dois pivôs titulares, o jogo também flui normalmente, e Leandrinho substitui Alex ou Marquinhos sem maiores perdas. O problema tem sido quando Magnano troca os cinco de uma vez. Nos jogos contra a Argentina na semana passada, o treinador usou Raulzinho/Larry, Leandrinho, Marcelinho Machado, Rafael Hettsheimeir e Varejão juntos. Com essa formação, a bola fica estagnada no ataque e houve muitas falhas de comunicação na defesa.

O que mais me preocupou nesses amistosos foi a aparência de que a equipe, assim como a seleção de futebol, não tinha uma variação tática, apenas substituindo as peças de seu esquema uma por uma. Guilherme Giovannoni, ala-pivô capaz de abrir o jogo com seus arremessos de fora e seus passes, estava machucado e finalmente vai jogar contra os EUA, então poderemos ver uma variação nova no amistoso. A dúvida é se Giovannoni ainda tem gás e força para jogar por grandes porções de tempo no nível internacional; Marcelinho, aos 39 anos de idade, claramente não foi o mesmo nos amistosos e está indo na esperança de que seu Q.I. de basquete compense sua queda de capacidade física, e que ele adquira ritmo durante a fase de preparação.

Por isso eu gostaria de ter visto Felício ser mais testado antes do corte; ele é um garoto com capacidade de ‘trocar’ embaixo com os pivôs grandes adversários e com ‘range’ no arremesso para abrir o jogo, quase um Giovannoni mais pesado. Hettsheimeir não está confortável na função de Nenê; há de se reconhecer seu esforço para se mover mais e ampliar seu leque de arremessos, mas ele ainda é mais adequado para jogar como pivôzão, mesmo sendo mais baixo que Varejão.

O amistoso contra os EUA promete ser divertido e bem equilibrado; o jogo dos dois times, baseado em velocidade, costuma encaixar bem. Todo ano o Brasil faz partida dura contra os americanos, mesmo quando estes estão com sua força máxima. Mas, pelo menos para a nossa seleção, analise o que vier desse jogo com cautela: amistosos contra Eslovênia e Lituânia no decorrer do mês devem demonstrar melhor o que nos espera na Copa do Mundo. Contra esses times, os efeitos da deficiência nos chutes de 3 (tão estranho escrever isso sobre uma Seleção Brasileira!) e nos lances livres devem ficar mais claros, e veremos como Magnano vai lidar com isso.

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  • Gee Steals and Dunks

    Alonzo Gee picks off the pass and takes it in for the dunk.
  • From Half-Court

    A Blazers' fan hits a half-court shot to win a Toyota.
  • Go Gee

    Chris Kaman makes the inside feed to Alonzo Gee for the nasty two-hand finish.
  • Defense To Offense

    Robin Lopez gets the block that leads to a Nicolas Batum layup plus the foul.
  • Defense To Offense

    Robin Lopez gets the block that leads to a Nicolas Batum layup plus the foul.
  • Active Hands

    Damian Lillard gets the steal that leads to a Alonzo Gee dunk on the other end.
  • Wesley Matthews Injury

    Wesley Matthews tries to get out in transition for a quick basket, but would take a spill and leave the game with an ankle injury.
  • Wesley Matthews Injury

    Wesley Matthews tries to get out in transition for a quick basket, but would take a spill and leave the game with an ankle injury.
  • To The Rack

    Nicolas Batum feeds Robin Lopez who elevates and throws it down.
  • Thunder vs. Bulls

    Nikola Mirotic scores 26 points and collects 8 rebounds as the Bulls win a nail biter over the Thunder 108-105.
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    Rajon Rondo tries to dart in for the layup and Robin Lopez gets the block.
  • Postgame: E'Twaun Moore

    Craig Sager talks with E'Twaun Moore about his big game and getting the win over the Thunder.