Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Duelo de contrastes

Nesta terça-feira, inicia-se o aguardadíssimo duelo entre Oklahoma City Thunder e Miami Heat pelo título da NBA de 2011/2012 (22h, horário de Brasília, na ESPN). É um duelo de contrastes como poucos na história da liga. São dois times tão diferentes quanto eram os Boston Celtics e Los Angeles Lakers dos anos 80 ou o Detroit Pistons e o L.A. Lakers em 2004. Ou mais.

Sim, ambos os times têm "Grandes Trios" liderados pelo ala 3. As semelhanças param por aí. A própria composição dos trios é diferente, assim como seus estilos.

Ambos são alas, cestinhas e líderes de seus respectivos times, mas LeBron James e Kevin Durant são radicalmente opostos. LeBron é um raro espécime físico, uma força irresistível que atropela tudo que está em sua frente. É um jogador completo - pontua, passa, busca rebote, dá tocos, rouba bolas. Por outro lado, muitas vezes defere aos outros, sente a grandiosidade do momento e acaba engolido por ela - o que pode ser lido como um eufemismo para "às vezes some no final dos jogos". É uma figura polarizante, que gosta das luzes, do glamour, da fama e dos aplausos, e acaba soando insensível e arrogante quando não consegue o que quer.

Durant é o contrário em tantos níveis. Seu físico engana: é magrelo, aparentemente desengonçado. Tem capacidade de fazer quase tudo que LeBron faz, mas faz com menos graça e estilo, e costuma se concentrar mais em pontuar, o que talvez explique porque, apesar de KD ser o cestinha da temporada e o líder indiscutível do time de segunda melhor campanha da NBA, tenha perdido o prêmio de MVP da temporada para James. É uma pessoa simples, humilde, segura de si mesmo, que não se importa muito com o brilho ou com a fama. Fala pouco e não faz questão de aparecer. Talvez por isso, ao contrário de LeBron, cresça nos momentos decisivos: justamente por não se importar com a opinião dos outros sobre o que ele faz. E é justamente por não pedir a aprovação dos outros - e não desdenhar da desaprovação quando a recebe - que ele é quase que universalmente adorado.

Tanto Heat quanto Thunder são mais do que seus trios, mas também de formas distintas. Com OKC, você sempre sabe que Serge Ibaka vai bloquear arremessos, que Kendrick Perkins vai conseguir alguns pontos no garrafão, que Thabo Sefolosha vai defender em alto nível, que Nick Collison vai dar alguns minutos de descanso para os pivôs, que Derek Fisher vai acalmar os ânimos e pôr ordem na casa. Com Miami, a ajuda é imprevisível. Um dia é Udonis Haslem quem tem um grande jogo, outro dia é Mario Chalmers. No outro, Chalmers joga muito mal e você podia jurar que Norris Cole devia ser titular. Na partida seguinte, se lembra que Cole é um calouro bastante verde ainda. Shane Battier é o carregador de piano mais constante, e Mike Miller, o mais inconstante.

As diferenças vão muito além da quadra. O Thunder é exatamente o modelo que a NBA espera de seus times pós-locaute: elenco montado com gerenciamento inteligente dos recursos disponíveis, com muito talento formado no clube - como mostrei em coluna recente, cinco (Durant, Westbrook, Ibaka, Harden, Collison) dos oito principais jogadores do time foram recrutados por OKC no draft, e outros dois foram obtidos em trocas envolvendo altas escolhas de draft. O Heat é o modelo que causou as mudanças no Acordo de Negociações Coletivas (CBA): três superastros decidiram seus destinos no mercado de passe livre e se juntaram numa franquia com dinheiro, num mercado atraente. Os demais donos de equipe não suportaram ver que os jogadores tinham tanto poder e que projetos cuidadosamente montados não tinham como competir com altos dólares em grandes mercados.

A cidade de Miami é cosmopolita, movimentada por uma cena noturna forte e por uma larga população imigrante. À beira da praia e com tempo bom o ano todo, tem como principal fonte de renda o turismo e, talvez por isso, tem uma das torcidas mais distantes da NBA. Quando a maioria de seus torcedores é turista e não sabe falar inglês, fica difícil pedir que se juntem para gritar alguma coisa em uníssono. Oklahoma City, por sua vez, é uma capital e é grande, até maior que Miami, mas está no meio-oeste, coração dos Estados Unidos, com uma população amplamente nascida e criada na cidade. É um local de trabalho duro, seja na indústriia de óleo e petróleo ou no setor rural, sem glamour e badalação. O clima é instável e o local tem uma das maiores incidências de tornados do país. O Thunder rapidamente se tornou uma das maiores atrações da cidade, e o povo de Oklahoma City, que já mostrava sua paixão pelos times esportivos das universidades locais, logo se tornou uma das torcidas mais barulhentas e participativas de toda a NBA.

Para muitos, pode soar como se o Miami Heat representasse o mal e o Oklahoma City Thunder, o bem. Para mim, é outra coisa: Miami representa a liberdade e a evolução, enquanto Oklahoma City representa o conservadorismo e a tradição. Qual deles é melhor? Algum deles é melhor? Vamos ver qual deles funciona melhor em quadra.

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