Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Seguindo as lições de Rocky

Vocês conhecem a série de filmes “Rocky”? (Tem fã de NBA que nunca viu Michael Jordan jogar, não duvido de nada). Seu personagem principal, Rocky Balboa (interpretado por Sylvester Stallone), é um veterano lutador italiano que, frequentemente considerado a “zebra” nas suas lutas, tinha o hábito de levar porrada o tempo inteiro e reagir no final, quando o menosprezo abaixava a guarda de seus adversários, sempre mais jovens e atléticos. O alemão Dirk Nowitzki parece mais o russo Ivan Drago, vilão do quarto filme da série, do que com Rocky, mas seu Dallas Mavericks tem todo o tipo do “Garanhão Italiano”.

O que vimos nesta quinta-feira – vitória do Dallas Mavericks sobre o Miami Heat de virada, por 95 a 93, fora de casa – foi uma reprise do que o time texano fez com o Oklahoma City Thunder no jogo 4 das finais da Conferência Oeste – assim como as lutas de Rocky com Drago e Clubber Lang seguiam basicamente o mesmo enredo de sua luta original com Apollo Creed. Na ocasião, OKC vencia Dallas por 15 pontos no meio do último quarto, apoiado em intensidade defensiva e exuberância atlética, quando relaxou. Baixou a guarda, passou a controlar um pouco demais o relógio, deixar para entrar na jogada armada um pouco mais tarde. Só que o Mavericks percebeu, aumentou a intensidade e jogou o feitiço contra o feiticeiro. De súbito, a zona do Mavs não deixava espaços para penetrações, conseguia roubos de bola e saía em transição rápida ao ataque. Sem tirar nem pôr uma vírgula a mais, foi exatamente o que aconteceu em Miami.

Como Rocky, Dallas parece ter ciência de que não tem como igualar o atletismo dos rivais mais jovens. Sabe que enterradas voadoras e ferozes valem os mesmos dois pontos que chutes sem graça de média distância, e gastar energia para chegar atrasado, fazer falta e ainda levar uma cravada na cabeça não vale a pena. É a tal maturidade, tão comentada nesta pós-temporada, que o Mavs adquiriu após anos de decepções ao tentar acompanhar o ritmo de adversários mais atléticos e se abater quando o nocaute escapava.

Mais do que isso, a vitória desta quinta foi o fechamento de um ciclo para o Mavericks. Há cinco anos, era Dallas quem tinha os 13 pontos de vantagem em Miami, baixou a guarda e deixou o rival entrar e virar o confronto, dando início a um inferno astral que durou até este ano. A varrida sobre o Lakers e a reação contra o Thunder ajudaram, mas só esta virada contra o Heat, no mesmo palco da vergonha de 2006, poderia exorcizar de vez aqueles demônios. Agora sim, os texanos têm a ficha limpa e começam do zero. Quem vencer três primeiro vence, e vejam só: os três próximos jogos são em Dallas.

Mas que ninguém pense que o momento mudou completamente e o Heat está numa situação ruim. Está tudo igual. Miami dominou ampla parte dos dois jogos e o Mavs só jogou melhor por sete minutos. Sinceramente, tudo o que o Rubro-negro floridiano precisa fazer é manter a concentração por mais tempo – de preferência, por toda a totalidade dos 48 minutos. Dallas precisa ser muito mais consistente para concretizar a vantagem de jogar em casa. Essa série tem toda a cara de que voltará a South Beach pelo menos para um jogo 6.

Rocky teve seis filmes. No último da série, Rocky, já aos 58 anos de idade (não, o Jason Kidd não tem tudo isso... ainda), acaba derrotado pelo jovem campeão Mason Dixon, em decisão dividida. Não sei se o final da história será o mesmo, mas Dallas também vai lutar até o fim.

NBA nas redes sociais

Vídeo