Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Bulls Sob Risco

Você deve achar que eu estou maluco. Como pode o time número 1 da liga, em vantagem de 2 a 0 na série melhor-de-sete jogos contra o oitavo colocado da Conferência Leste, estar a perigo? Acredite, o Chicago Bulls pode até varrer o Indiana Pacers, mas se continuar jogando essa bolinha que vem apresentando, não passa nem pelo Orlando Magic, nem pelo Atlanta Hawks na segunda rodada dos playoffs.

Eu poderia inundar esta página com as estatísticas – 18,5 bolas perdidas por jogo, 38,6% de aproveitamento nos arremessos no jogo 2, Pacers com 45,7% de aproveitamento nos chutes de 3 e 94,5 pontos por jogo – mas nem precisa. É só assistir aos jogos para ver que Indiana – foi mal pelo desrespeito, mas é o INDIANA PACERS, time sem nenhum All-Star, que terminou o campeonato com 37 vitórias e tem um técnico cujo título de “interino” não foi retirado nem com a primeira classificação da franquia aos playoffs em cinco anos – joga de igual para igual com Chicago, se é que não joga melhor! É este o time que vai levar o troféu de volta ao United Center?

Os dois primeiros jogos desta série dizem menos sobre o Pacers – bom time, de futuro, que tem tudo para ser o novo Atlanta Hawks e voltar no ano que vem com força – do que sobre o Bulls. A temida defesa do Chicago apresenta falhas que começam por um de seus “astros”, Carlos Boozer, cujo duplo-duplo no jogo 2 foi um dos feitos estatísticos de menor efeito que já vi – só superado pelos 46 pontos de Dwight Howard contra o Atlanta no jogo 1 daquela série, e pelos inúmeros duplos-duplos que o próprio Boozer produziu em seus seis anos de Utah Jazz. No ataque, está claro que o Bulls vai aonde Derrick Rose o levar.

Danny Granger estava certo: para deter o Bulls, basta parar Rose. Isso, obviamente, é mais fácil de dizer do que fazer, mas o próprio Pacers obteve bons resultados quando usou seus pivôs para fazer dobras de marcação logo após o meio da quadra – não entendi por que usaram tão pouco esta tática. Depender de só uma arma ofensiva durante a temporada, quando ninguém tem muito tempo para estudar o adversário de cada noite, é uma coisa; nos playoffs, em que você pode passar até duas semanas enfrentando o mesmo time, é outra. LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh certamente concordam, assim como Dirk Nowitzki, Tracy McGrady e Carmelo Anthony. Se Boozer e Luol Deng não forem mais consistentes, eventualmente o Bulls vai cair. Pode ser até contra Atlanta, time que Chicago destroçou no último mês da temporada, mas que tem conhecimentos defensivos suficientes para criar um esquema a la Celtics para limitar Rose. Pode ser contra Orlando, que, pelo menos no papel, tem opções suficientes para abrir a defesa do Bulls. E da forma que Miami jogou contra o 76ers nas duas primeiras rodadas, quem vai apostar contra eles numa possível final de conferência?

Tom Thibodeau tem muito trabalho pela frente. Ao contrário do que gostamos de pensar, o Chicago Bulls dos anos 90 chegou a seis títulos muito por conta do trabalho de Phil Jackson para permitir que Michael Jordan permanecesse fazendo grandes jogos. Está na hora de Thibodeau mostrar por que tantos o apontam como Técnico do Ano e fazer seu time jogar melhor nos dois jogos em Indianápolis.

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