Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

A Controvérsia do Natal

É uma tradição antiga da NBA realizar uma rodada especial de jogos no dia de Natal. Neste sábado (25 de dezembro), pelo segundo ano consecutivo, a liga fará cinco partidas para comemorar a data: às 15h (horário de verão de Brasília), New York Knicks x Chicago Bulls; às17h30, Orlando Magic x Boston Celtics; às 20h, Los Angeles Lakers x Miami Heat; às 23h, Oklahoma City Thunder x Denver Nuggets; e às 1h30 do dia 26 (para nós aqui no Brasil), Golden State Warriors x Portland Trail Blazers.

Os jogos de Natal acontecem desde o nascimento da liga e não pararam desde então. No meio da década de 80, a rodada de Natal se tornou um evento, com apenas dois jogos, exibidos em rede nacional na TV e incluindo os principais favoritos ao título, ou as principais rivalidades – em 1986, por exemplo, o Knicks de Patrick Ewing enfrentou o Bulls de Michael Jordan; em 1990, Bulls e Pistons batalharam no auge de sua rivalidade; em 2000, o Blazers derrotou o Lakers na revanche das finais da Conferência Oeste do ano anterior. Nos últimos quatro anos, a NBA voltou a “inchar” a rodada de Natal, provavelmente por pressão das emissoras de TV – além do canal aberto oficial da liga, ABC, que continua exibindo os dois principais jogos, outros três confrontos são transmitidos pela emissora a cabo ESPN.

Os americanos sempre foram reconhecidos por seu senso de oportunidade de marketing, e a realização de jogos em feriados é uma amostra clara disso. Não é apenas no Natal que a NBA e outras ligas esportivas americanas fazem rodadas especiais – também o fazem no Dia do Trabalho, Dia dos Veteranos, Dia da Independência, Dia de Ação de Graças, Ano Novo... A lógica é simples: são feriados, não há nada aberto na cidade, nada para se fazer além de ficar em casa; por que não fornecer uma opção de entretenimento esportivo e exibir seus bens mais valiosos?

Sempre me perguntei por que os brasileiros não pegam carona nesta ideia. Eu adoraria que houvesse um jogo entre os dois melhores times de qualquer esporte na minha cidade no Natal. Um Flamengo x Brasília no basquete, ou um Rio de Janeiro x Osasco no vôlei, ou um Fluminense x Corinthians no futebol, não seria interessante? Não seria melhor do que ter que ver os mesmos filmes de Natal pela enésima vez?

Aqui, porém, essa ideia sempre foi rejeitada, porque ninguém quer trabalhar em feriado. Já testemunhei diversos atletas, de diversas modalidades, resmungando porque teriam que jogar em algum feriadão dos milhares que o Brasil produz anualmente. Nos EUA, a tradição de jogos natalinos também levanta controvérsias. O técnico do Lakers, Phil Jackson, e o ala LeBron James, do Miami Heat, declararam publicamente nesta semana serem contra o evento, pois gostariam de estar com suas famílias na data. Jackson disse: “É como se feriados cristãos não significassem nada mais”. No ano passado, Stan Van Gundy, técnico do Orlando Magic, foi ainda mais agressivo, ao dizer que “sente pena de quem não tem nada melhor para fazer no Natal do que assistir a jogos da NBA.”

O nada sutil Van Gundy não consegue entender que há muita gente que não tem família, ou mora longe da família por inúmeros motivos (trabalho, serviço militar, estudos), ou não é cristão e não comemora o Natal, ou simplesmente não quer passar o dia inteiro com a família. Às vezes, uma ceia é suficiente. Puxa, já comemos, oramos, trocamos presentes... Temos que ficar vendo retrospectivas e reprises chatas na TV? E é curioso que Jackson acredite que um país como os EUA – Estado laico, com liberdade para todas as religiões – deva parar durante um feriado cristão – embora isso caiba em outra discussão, que não quero nem devo entreter neste espaço.

Se nos EUA, esta rodada especial é um mal necessário, no Brasil, para esportes como o basquete, vôlei, natação, tênis e outros, que precisam competir entre si por um espacinho nas grades televisivas, fazer jogos em feriados deveria ser uma decisão automática, principalmente neste final de ano, para aproveitar o recesso do futebol e chamar atenção. Sim, é ruim não poder passar o Natal com a família, principalmente para os cristãos, mas deve ser encarado como parte do sacrifício em nome do esporte e dos fãs. Pensem nos taxistas, motoristas de ônibus, operadores de tráfego, policiais, guarda-vidas, médicos, jornalistas, entre outros que não param de trabalhar em feriados; não vale a pena um feriado perdido pelo bem maior?

Enquanto isso não acontece, bem afortunados os brasileiros que dispõem de NBA League Pass para acompanhar a rodada especial deste sábado, ou que captam a TV Esporte Interativo para ver Lakers x Heat. Seja este seu caso ou não, seja você cristão ou não, desejo-lhe um Feliz Natal e muitas alegrias com amigos e família. Amém.

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Vídeo

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    Nik Stauskas misses on the triple, and Alex Oriakhi cleans up strong with the putback dunk.
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