Adriano Albuquerque é jornalista esportivo e serviu como editor e repórter do site BasketBrasil (http://www.basketbrasil.com.br) por cinco anos, entre 2005 e 2010. Já passou pelas redações do diário LANCE! e do site Globoesporte.com, e cobriu diversos esportes como basquete, futebol americano, futebol, beisebol, streetball, tênis, vôlei e natação. Também foi assessor de imprensa da Federação de Futebol Americano do Rio de Janeiro e do Botafogo Mamutes. Atualmente, cobre MMA para o SporTV.com. É torcedor do Detroit Pistons desde os tempos dos Bad Boys de Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Laimbeer.

Tecnicamente confuso

A pré-temporada tem sido uma distribuição de faltas técnicas a torto e a direito. Uma nova regra deixa claro que gesticulação, mesmo que não seja dirigida ao árbitro, receberá falta técnica, assim como correr até o juiz para contestar uma marcação, além de “outras ações que não mostrem respeito apropriado ao jogo”. É o clássico “se você der um pio, está de castigo”. O valor da multa pela falta técnica também mudou e subiu para US$ 2 mil – nas primeiras cinco; depois, o valor sobe mais ainda, e chega a US$ 5 mil na 16ª técnica, que é acompanhada por uma suspensão de um jogo.

Diversos astros já se manifestaram contra a mudança, e o sindicato de jogadores planeja tomar ação legal contra a liga. Não é a primeira vez que nenhum dos dois acontece: em 2006, os árbitros também foram instruídos a serem mais severos com reclamações, as faltas técnicas aumentaram, e o sindicato ameaçou entrar na Justiça. No final das contas, os juízes relaxaram um pouco e não houve nenhum processo. Este ano, o texto da regra é diferente, o que dificulta mudanças e aumenta o risco de ação legal.

Existem vários fatores a se considerar. Por um lado, os jogadores às vezes exageram, chorando de qualquer faltinha boba, e precisam aprender a se conter. Além disso, quanto mais demonstrativos são, mais jogam suas torcidas contra os árbitros, criando uma pressão injusta contra um profissional que muitas vezes está fazendo seu trabalho corretamente. Por outro lado, como muitos estão comentando, basquete é um jogo emocional, e às vezes é complicado conter a emoção quando um lance crucial não é marcado da forma que você esperava. Outro fator é que os atletas são os astros do jogo e ninguém paga ingresso para vê-los excluídos de uma partida decisiva, apenas porque quiseram discutir uma marcação em particular.

A questão mais importante, porém, é se a NBA está agindo no lugar errado, censurando os jogadores em vez de trabalhar na arbitragem. Não é uma censura completa, pois ainda é possível argumentar com os árbitros – embora isso precise ser feito de forma MUITO reservada. Também não se pode dizer que a liga não está trabalhando em melhorar suas arbitragens – desde o escândalo envolvendo Tim Donaghy, a NBA mudou seu vice-presidente de arbitragem, ampliou suas pesquisas de erros e treinamentos aos juízes, e criou um site para os fãs tirarem suas dúvidas quanto às regras e marcações, o Video Rulebook.

Mas será isso suficiente? A greve dos árbitros do ano passado deixou a impressão de que a liga não valorizava seus profissionais de arbitragem o suficiente. A pré-temporada inclusive começou com árbitros substitutos, e temos provas concretas (o locaute de 1998-99) de que a NBA não faria o mesmo com seus jogadores. Agora, há a impressão de que a liga prefere silenciar as críticas aos juízes a melhorar seus desempenhos. Um contra-argumento para esta teoria é que a NBA acredita que, para que os árbitros acertem mais marcações e cresçam na profissão, precisam de maior proteção e tranquilidade no ambiente de trabalho. O árbitro é que nem um jogador, que não vai render se o técnico berrar com ele a qualquer errinho cometido.

Tenho mais uma teoria: aumentar o valor das multas e subir o nível de exigência no comportamento é uma forma de garantir à liga dinheiro em caixa, para diminuir as necessidades dela e dos proprietários de franquia no próximo Acordo de Negociações Coletivas. Deste jeito, seria mais fácil chegar a um meio-termo com os atletas e manter os termos do atual acordo, que o sindicato dos jogadores defende. Aí, caberia aos próprios jogadores ter a visão de entender isto e usar como ferramenta nas negociações.

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